Cara a cara com o goleiro

1053img_bola1986Parecia que todas as chuteiras e bolas do mundo estavam em nossa área. Certa hora, tomada pela fúria do atacante adversário, uma bola atingiu o que os comentaristas chamam de parte baixa de Trovati, o zagueiro central do Estrela Vermelha que foi ao chão. O time nem conseguiu acudir aquele que era o mais aguerrido dos defensores da várzea campineira, tamanha era a canseira do quase encerramento de um 0 a 0 suado. Na outra trave, o goleiro tirava uma soneca encostado na trave, cansado de sonhar com um ataque inoperante.

Enquanto Trovati se contorcia no gramado – se é que se pode chamar assim o piso do campo do Astral -, Wil, nosso goleiro, apanhou a bola e chutou com a força que lhe restava para Toninho Piau, o pouco hábil mas muito veloz  ponta do Estrela.

Surpreendidos com a insensibilidade de Wil, que desprezou a bola no saco de Trovati, os dois times só observaram o balão que ultrapassou por pouco a linha de meio-campo. Todos olhavam a bola como se fosse algo de outro planeta. Menos Toninho Piau, nosso veloz ponta-esquerda, que, como de hábito, partiu para a meta adversária com os olhos grudados na bola. Foi quando o time inteiro do Astral resolveu gritar ao mesmo tempo para despertar o goleiro que dormia encostado na trave.

Toninho Piau foi tão rápido que ninguém nem sequer pensou em acompanhar a arrancada. E o goleiro, assustado, levantou-se, coçou os olhos e se agarrou na trave para se certificar da posição em que estava. E lá vinha o foguete Toninho Piau.

Quando o ponta estava quase nas proximidades da grande área, o goleiro se adiantou para dar o bote. E Toninho, com os olhos fixos na bola, armou-se para desviar a bola do goleiro. Tudo aconteceu como planejado pelos dois jogadores.

Toninho deu um leve toque à esquerda do goleiro, que se atirou na bola com extrema leveza para quem tinha acabado de acordar. Mas não conseguiu interceptar nada e passou a esmurrar o chão inconformado. E Toninho saiu pulando pela façanha.

Tudo estaria perfeito se a jogada não tivesse ocorrido do lado errado do gol. O goleiro da soneca apalpou a trave pelo lado externo do gol, e nosso ponta era acostumado a manter os olhos presos na bola e só arriscara uma leve espiada na posição do arqueiro.

Resultado: Toninho comemorou e o goleiro se desesperou por um gol inexistente. E os dois times observaram a cena de camarote.

Acabou naquela hora o jogo entre Estrela Vermelha e Astral. As duas equipes ficaram caladas pelo tempo possível. E o empate, no final das contas, foi considerado justo.

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