A vingança do alho

Muricy

Muricy

Se a bola não entra, tem alguma coisa errada. Então tem que correr atrás do que está enroscado. Desenterrar sapo, enterrar alho,  tudo vale. E o Noroeste entrou em alta quando os gandulas começaram a enterrar cabeças de alho atrás dos gols para afugentar maus olhados, ideia da nutricionista do clube Cláudia Alcântara. Ser rebaixado no Paulista parecia agora um temor sem propósito.

Mas na última quarta-feira, a diretoria do clube se elegantou: “alho aqui em Bauru nem a pau”! A revolta veio principalmente depois que a TV Globo divulgou notícia sobre a superstição do pessoal do Norusca. Para a diretoria do Noroeste, superstição é coisa de caipira, e caipira é a gente de São Paulo, terra do adversário.

Na quarta-feira sobrou para todo mundo, para o assessor de imprensa que deu de bandeja a matéria para a emissora, para a nutricionista, para os gandulas, e houve até quem pensasse em proibir a entrada no estádio Alfredo Castilho de torcedor que estivesse cheirando a alho. A proibição, afinal, foi considerada muito radical pela cúpula da equipe paulista. Comedor de alho também poderia entrar.

Mas o alho deu o troco. Nutricionista e gandulas previam o que estava para acontecer. Sem alho em campo, o Norusca não foi mais o Norusca dos últimos tempos. Cabisbaixos, o pessoal do alho viu então o São Paulo vencer o Noroeste por 2 a 1 e acabar com a ivencibilidade de três partidas do time.

Corre em Bauru a notícia de que um grupo de torcedores se prepara para, durante a noite desta sexta-feira, encher o campo do Mirassol de alho. O adversário de sábado jogará então com alho na garganta. E o grupo garante que assim o Norusca voltará a brilhar e dar adeus à zona de rebaixamento.

O ator de novela era artilheiro do Paulistão

Memorial do Santos

Memorial do Santos

Os times foram para o quadrangular final para dar um basta na mania do Santos em conquistar o título do Campeonato Paulista. Estavam na briga Corinthians, Palmeiras e São Paulo, sem contar o fominha Santos.

O Peixe havia conquistado os dois últimos campeonatos, sem contar os outros nove que ganhara desde 1955. E tinha Pelé, artilheiro em 11 competições, nove delas seguidas, entre 1957 e 1965. Era o Campeonato Paulista de 1969, disputado há 40 anos.

Naquele ano, o Camisa 10 se dava ao luxo de fazer novela em televisão enquanto conduzia o espetáculo com a bola. Ele fazia o papel do escritor de livros policiais Plínio Pompeu, na novela “Os Estranhos”, de Ivani Ribeiro, na TV Excelsior. Contracenava com os craques da tela Stênio Garcia, Fernanda Montenegro e Regina Duarte.

O jogador-ator, que conquistaria no ano seguinte o tricampeonato mundial pelo Brasil, não deu bola para o tal escritor Plínio Pompeu e voltou a estufar as redes no Paulistão. Fez 26 gols e ajudou o Santos a conquistar a taça mais uma vez, quando empatou com o São Paulo, no Morumbi, por 0 a 0. Vieram nas posições seguintes Palmeiras, São Paulo e Corinthians.

Pra quem quiser recordar, lá vão os times do jogo decisivo:
Santos: Cláudio, Carlos Alberto, Ramos Delgado, Djalma Dias e Rildo; Clodoaldo e Negreiros; Toninho Guerreiro, Edu, Pelé e Abel. Técnico: Antoninho.
São Paulo: Picasso, Cláudio, Jurandir, Dias e Edílson; Terto e Nenê; Paraná, Zé Roberto, Téia e Babá. Técnico: Diede Lameiro.

Ora bolas!

Treino do Cruzeiro

Treino do Cruzeiro

O campeonato mineiro coloca o peso das bolas em discussão. Pela Libertadores, a bola fabricada pela Nike é leve e vai às nuvens se o arremate não for certeiro. Pelo estadual, a bola Penalty é mais pesada e cai no agrado da maioria dos jogadores.
Mas não é só o peso da bola que está criando encrenca. A cor também está em jogo. No Estadual, a bola é branca e preta. Já a bola utilizada na Libertadores é predominantemente branca, tem a logomarca da Conmebol e uma fita gráfica  cor vinho.

Pelas regras do futebol, as bolas deverão ter uma circunferência entre 68 e 70 centímetros. A margem da medida também vale para o peso, que deverá variar entre 410 e 450 gramas no início da partida. É aí que mora a polêmica.

Para os jogadores, essas diferenças são importantes, principalmente para cobradores de falta e goleiros. O meia Wagner, o homem cruzeirense da bola parada, se embaralha com a questão. Em entrevista para o UOL Esporte, ele disse que bola mineira, se colocar força, ela sobe muito. Na Libertadores, se não colocar força,  ela se arrasta.

Para os atletas, jogar as duas competições é uma confusão. O chute que vira gol num torneio, faz a bola viajar no outro. Wellington Paulista, autor dos dois gols da vitória cruzeirense, por 2 a 0, sobre o Universitario de Sucre, pela Libertadores, na última quarta-feira, mostrou que se dá bem com a bola leve.
Para o goleiro, a bola, porém, pode ser um desastre. Em chute longo, a bola parece um bumerangue. Tanto que os goleiros agora evitam encaixar a bola, como faziam antes com frequência, e agora espalmam todas que encontram pela frente.
A temporada do Cruzeiro nas duas competições, apesar das bolas, vai bem e o time está invicto na temporada, com 11 vitórias e quatro empates. No Campeonato Mineiro, o Cruzeiro soma 21 pontos em 27 possíveis (aproveitamento de 78%), obtidos em seis vitórias e três empates. Pela Libertadores, o time lidera o grupo 5, com 10 pontos – três triunfos e um empate.

Grafite vira figurinha rara na Alemanha

Grafite em jogo alemão

Grafite em jogo alemão

O brasileiro Grafite não só se tornou craque importante do momento no campeonato alemão como de repente viu seu rosto estampado em álbum de figurinhas do país. Depois dos três gols feitos na última sexta-feira, em que seu time, o Wolfsburg, derrotou o Schalke 04 pelo placar de 4 a 3, o ex-jogador do São Paulo ajudou seu time a ocupar agora o segundo posto do Campeonato Alemão.

O atacante , que viveu inferno astral no Brasil quando sofreu um ataque racista do argentino Leandro Desabato em jogo entre o Quimes e São Paulo pela Libertadores no Morumbi, em 2005, e teve a mãe seqüestrada,  agora vive momento feliz na Alemanha.

Com os últimos gols pelo Wolfsburg, que também conta com o volante Josué no elenco, Grafite tornou-se o vice-artilheiro da competição com 17 gols, com um gol a menos que Vedad Ibisevic, do Hoffenheim.

Com o resultado, o Wolfsburg chegou aos 45 pontos, assumindo vice-liderança do torneio, liderada pelo Hertha, com 46 pontos. No quarto gol de seu time, Grafite entrou com a bola e tudo. E a figurinha do craque se transformou em raridade para os colecionadores alemães.

Feiticeiros apontam campeão da Copa de 70

Pelé

Pelé

Pouco antes da Copa de 1970, no México, um computador inglês, de fraque e cartola, colocou seus chips pra chacoalhar e sentenciou: vai dar Inglaterra, logicamente. Enquanto isso, em Lima, no Peru, um congresso de feiticeiros de todas as correntes pôs também em pauta a Copa do Mundo. Depois de muito suspense, os babalaôs declararam ao mundo a conclusão dos búzios: vai dar Brasil na cabeça. E pra não ficar mal com os anfitriões do congresso, classificaram o Peru em segundo lugar. A Inglaterra não entrou nem entre os quatro primeiros. 

Os ingleses, campeões em 66, continuavam cantando de galo. Num amistoso contra a seleção brasileira no Maracanã, em que o Brasil ganhou por 2 a 1, o técnico Alf Ransey começou a guerra que seria decidida meses depois no México. Depois do jogo, em coletiva com jornalistas ingleses, entrou na canela: “Podemos ganhar deles quando quisermos”.

O maior problema do Brasil estava em como encaixar Tostão na equipe. Além de um deslocamento na retina, ele jogava no Cruzeiro na mesma posição que Pelé, no Santos. Para jogar enfiado na defesa adversária, havia Dario e Roberto Miranda. Mas o grupo e Zagalo não estavam muito satisfeitos com as opções. Decidiu-se então fazer de Tostão um centroavante, o que deu certo. E como deu certo!

Os ingleses, que estavam no grupo do Brasil, chegaram ao México com o nariz na lua. O Brasil ficou na sua, esperando a bola rolar. No Brasil de 70 os torcedores grudaram a cara na tevê. Pela primeira vez a Copa do Mundo seria transmitida ao vivo pra todos os países.

No primeiro jogo, o Brasil mostrou a que veio. Meteu 4 a 1 na Checoslovaquia. Agora era o técnico Tcheco, Marko, de saco cheio com a goleada, que vinha cutucar os nervos dos brasileiros, fazendo uma previsão para o jogo seguinte: “Os ingleses vão vencer com facilidade”. Marko se unia assim ao inglês Alf Ransey e ao computador encartolado de sua Majestade.

A partida Brasil e Inglaterra ficou conhecida como a decisão da Copa. O primeiro tempo foi supercauteloso. No segundo tempo, Tostão fez uma jogada incrível e tocou para Pelé, que tocou pra Jairzinho, que fuzilou Banks. O 1 a 0 se manteve até o fim, com o Brasil dando um show de bola. .

Não que o resto da Copa não tenha sido importante. Mas aquele nocaute na Inglaterra tinha sido fundamental para dar moral à equipe brasileira. Passamos pela Romênia, Peru, Uruguai e fomos ver o que a Itália tinha pra mostrar na decisão.

Em mais uma partida perfeita, a seleção enfiou 4 a 1 nos italianos. A torcida brasileira, de olho fincado na televisão, só esperou o juiz alemão Rudy Glockner soar o apito pra sair farreando pelas ruas. Dizem que muitos feiticeiros do congresso de Lima ganharam uma grana preta com o resultado. E até hoje tem inglês procurando o vírus que se meteu no computador da rainha da Inglaterra. No jogo das previsões, os búzios bateram os chips.

Fausto joga o boné em cima da bola

O Vasco parte para campos europeus com uma equipe de primeira linha. Entre os craques, que viajaram no navio Arlanza em 1931, estava um crioulo alto e elegante chamado Fausto, mais conhecido como Maravilha Negra, que marcou época no futebol brasileiro pela sua sabedoria na meia cancha. No meio da excursão pela Europa, o Vasco foi enfrentar, em Lisboa, o combinado Benfica-Vitória-Casa Pia.

Lá pelas tantas, o juiz marcou um pênalti contra o time carioca. Ninguém gostou da marcação e fez questão de deixar isso bem claro para o português do apito, que esteve prestes a dançar o vira no gramado. Acalmados os ânimos, quando o centroavante Aníbal José se preparava para o chute, Fausto foi até a bola e lhe desferiu uma cusparada.

Ninguém entendeu nada, muito menos o chutador, que bicou a bola por cima do travessão.  O juiz mandou voltar a cobrança, percebendo, talvez, que a bola tenha ficado ofendida com a atitude de Fausto e por isso não entrou. O provocador comentou com o goleiro Jaguaré que só estava “passando a saliva” na redonda.

Nova cobrança. “Oh, raios”!, pensou Aníbal José ao ver a bola  novamente na marca de pênalti. Na hora em que ele correu para decidir logo aquela história, Jaguaré jogou o boné sobre a bola. Novo chute para a lua. O juiz mandou repetir a cena mais uma vez, entendendo, talvez, que o boné tenha cegado a bola, daí não ter entrado. Finalmente, já cansados do lenga-lenga, os brasileiros saem de perto e Aníbal José mete a bola para dentro. Mesmo assim, o Vasco acabou vencendo por 4 a 2.

Naquela excursão, os europeus tiveram que se curvar ao talento do Maravilha Negra. Não só se curvaram como se sentiram na obrigação de contratar o craque. Nem bem acabou a temporada em campos portugueses, Raul Campos, presidente do Vasco e chefe da delegação, recebeu a bomba de que o Barcelona acabara  de contratar Fausto e Jaguaré.

Para Fausto, apesar da façanha da contratação, tinha início mais uma etapa de conflitos com dirigentes e com uma estranha gripe que sempre o acompanhou enquanto jogou futebol. A gripe se chamava tuberculose e o matou em 1939, aos 35 anos. Da vida de Fausto, ficou, entre outros episódios, a contratação pelo Barcelona, que naquele tempo já pescava em times brasileiros.

Douglas se redime e põe a bola na cabeça de Ronaldo

Ronaldo faz o gol de empate

Ronaldo faz o gol de empate

No gol de Ronaldo aos 47 minutos, que deu o empate ao Corinthians no clássico contra o Palmeiras, um detalhe passou quase despercebido: a cobrança de escanteio na cabeça de Ronaldo, na segunda trave, foi feita por Douglas, o mesmo jogador que fora criticado no jogo anterior por não ter feito o passe no final da partida que poderia resultar no primeiro gol de Ronaldo com a camisa do Corinthians. Mas agora o passe veio, com um monte de gente na área, o que levou à loucura o bando de malucos da galera corintiana.