Fausto joga o boné em cima da bola

O Vasco parte para campos europeus com uma equipe de primeira linha. Entre os craques, que viajaram no navio Arlanza em 1931, estava um crioulo alto e elegante chamado Fausto, mais conhecido como Maravilha Negra, que marcou época no futebol brasileiro pela sua sabedoria na meia cancha. No meio da excursão pela Europa, o Vasco foi enfrentar, em Lisboa, o combinado Benfica-Vitória-Casa Pia.

Lá pelas tantas, o juiz marcou um pênalti contra o time carioca. Ninguém gostou da marcação e fez questão de deixar isso bem claro para o português do apito, que esteve prestes a dançar o vira no gramado. Acalmados os ânimos, quando o centroavante Aníbal José se preparava para o chute, Fausto foi até a bola e lhe desferiu uma cusparada.

Ninguém entendeu nada, muito menos o chutador, que bicou a bola por cima do travessão.  O juiz mandou voltar a cobrança, percebendo, talvez, que a bola tenha ficado ofendida com a atitude de Fausto e por isso não entrou. O provocador comentou com o goleiro Jaguaré que só estava “passando a saliva” na redonda.

Nova cobrança. “Oh, raios”!, pensou Aníbal José ao ver a bola  novamente na marca de pênalti. Na hora em que ele correu para decidir logo aquela história, Jaguaré jogou o boné sobre a bola. Novo chute para a lua. O juiz mandou repetir a cena mais uma vez, entendendo, talvez, que o boné tenha cegado a bola, daí não ter entrado. Finalmente, já cansados do lenga-lenga, os brasileiros saem de perto e Aníbal José mete a bola para dentro. Mesmo assim, o Vasco acabou vencendo por 4 a 2.

Naquela excursão, os europeus tiveram que se curvar ao talento do Maravilha Negra. Não só se curvaram como se sentiram na obrigação de contratar o craque. Nem bem acabou a temporada em campos portugueses, Raul Campos, presidente do Vasco e chefe da delegação, recebeu a bomba de que o Barcelona acabara  de contratar Fausto e Jaguaré.

Para Fausto, apesar da façanha da contratação, tinha início mais uma etapa de conflitos com dirigentes e com uma estranha gripe que sempre o acompanhou enquanto jogou futebol. A gripe se chamava tuberculose e o matou em 1939, aos 35 anos. Da vida de Fausto, ficou, entre outros episódios, a contratação pelo Barcelona, que naquele tempo já pescava em times brasileiros.

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