A tropicada do apito

angulo3Se meter com apito de futebol não é fácil. Numa cutucada na memória sobre os momentos em que o apito se aquietou ou gritou na hora errada, vem lembranças curiosas. Em Copas do Mundo, por exemplo, na decisão entre Inglaterra e Alemanha, em 1966, em que os ingleses levantaram a taça, ele apareceu para anotar um gol da Inglaterra que não foi gol. E se manifestou de forma errada quando Diego Maradona fez o gol de mão no jogo contra a Inglaterra, em 1986, em que os argentinos foram campeões, e saiu comemorando como se a mão não fosse dele.

Agora, o gaúcho Simon está na berlinda como o cara que faz o apito gritar na hora de ficar quieto e de se aquietar no momento de fazer carnaval. E os jornais apimentam cada vez mais a história deste juiz que se prepara para sua terceira Copa do Mundo seguida. Na lista de mancadas cometidas pelo juiz, o que mais chama a atenção é o episódio do tropicão.

Aconteceu neste ano na primeira final do Campeonato Cearense. Na cara do gol, o atacante Edu Sales, do Ceará, invadiu a área e, opa!, deu uma tropicada e foi para o chão. Foi um mico do tamanho do estádio, e os torcedores do time nordestino não sabiam onde meter a cara. E o apito gritou.

Os torcedores imaginaram que Simon iria dar um desfecho educativo à lambança e dar uma dura no jogador pela trapalhada. Nada disso. O gaúcho apontou para a marca da cal. Pênalti. E o atacante do Ceará até hoje sonha com o apito salvador do gaúcho.

Se meter com apito é complicado.

Diego, ex-cai-cai, vai ao topo

Diego

Diego

Influenciado por arbitragens brasileiras, Diego, ex-santista, ganhou fama por se jogar no gramado depois de qualquer esbarrão do adversário. Na Europa, onde jogou pelo Porto, de Portugal, e Werder Bremen, da Alemanha,  percebeu que a mania não iria dar jogo. Ganhou músculos, manteve o talento e se deixou voar no esporte. E nesta terça-feira assinou um contrato de 24,5 milhões de euros para deixar o time alemão e jogar pela Juventus pelas próximas cinco temporadas.

Diego, que construiu o nome no Santos ao fazer a famosa dupla com Robinho, estava também na mira do Bayern de Munique, que tentava melar o negócio com a Juventus. Mas o time italiano se saiu melhor na negociação com o pai e empresário do jogador Djair Cunha.

Campeão brasileiro pelo Santos, onde foi revelado, Diego foi para o Porto em 2004. Dois anos depois já estava no Werder Bremen, onde foi eleito o melhor jogador do Campeonato Alemão nos anos de 2006 e 2007. Depois o seu sucesso começou a murchar, principalmente quando forçou a barra no ano passado para ser liberado para disputar os Jogos Olímpicos de Pequim.

Bandeira do Vasco derruba major baiano

O Vasco está com seus símbolos metidos em confusão. Primeiro foi um trapalhão que colocou para tocar o hino do Botafogo em uma festa do Vasco em que eram  apresentados os novos uniformes do time.  Agora foi a bandeira do Vasco que fez fuzarca na polícia baiana. Sobrou para o major da PM Francisco Bonfim, que trabalhava no local foi exonerado do cargo.

O último episódio aconteceu na quinta-feira depois que uma bandeira do Vasco foi hasteada em um mastro da 17ª Companhia Militar, em Salvador, em que o major trabalhava. Na véspera, o time carioca tinha eliminado o Vitória da  Copa do Brasil.

A autoria da brincadeira ainda está sendo investigada  pela Corregedoria Geral da corporação. Não se sabe se partiu de algum torcedor do Bahia ou de um vascaíno baiano. Mas os símbolos do Vasco estão na berlinda.

O craque vira boneco

Boneco de D'Alessandro

Boneco de D'Alessandro

 

Primeiro, logicamente, veio o esporte, o futebol que os ingleses colocaram no mundo todo no final do século retrasado. Depois, o futebol, que virou negócio, trouxe seus filhotes: o jogo de botão, inventado no Brasil e que hoje corre o planeta; as figurinhas vendidas em bancas de jornais, as que vinham em tampinhas de garrafas de refrigerantes, em balas etc. Surgiu até o abridor que toca o hino do clube na hora de se abrir a garrafa. Agora, no Brasil, é a vez dos bonecos.

O internacional de Porto Alegre deu a largada no negócio em 2008, quando lançou o boneco do volante argentino Guiñazu. E nesta quarta-feira apresentará mais um boneco, animado pelo sucesso do primeiro. Surge assim  a miniatura de outro ídolo do grupo, o também argentino D’Alessandro.

A miniatura de D’Alessandro segue os passos da de Guiñazu, cujo boneco sumiu das lojas no período de Natal e vendeu 3 mil unidades. Com 15 centímetros de altura, o boneco é emborrachado, possui uma base móvel e será comercializado por R$ 49,90.

O lançamento ocorrerá a partir das 19h30 desta quarta-feira, no centro de eventos,  conhecido como Área VIP Colorada. O departamento de marketing do Internacional está de olho no grande movimento no estádio Beira-Rio, já que às 22h ocorre a partida entre o Colorado e o Flamengo pelas quartas de final da Copa do Brasil. A expectativa é de que o novo boneco venda o dobro do que o primeiro, devido ao grande momento que vive o time na temporada de seu centenário.

Os próximos atletas homenageados com bonecos personalizados deverão ser os atacantes Nilmar – e demais jogadores do grupo atual, como Kléber, Índio, Taison e Magrão -, o ex-capitão Fernandão, líder do time campeão mundial, em 2006, e Claudiomiro, autor do primeiro gol do estádio Beira-Rio.

O mestre dos pênaltis

Rinaldo Ciasca, ex-goleiro da Ponte Preta, gostava de zagueiros desastrados. Quando eles faziam faltas na área, era a glória. Naquele momento ele poderia exercitar toda sua habilidade e desfrutar da grande emoção de descobrir o segredo do adversário.

Para se ter uma idéia, em um único campeonato paulista, em 1955, quando a pouco cordial defesa da Ponte cometeu 22 penalidades, Ciasca teve a pachorra de defender 16 cobranças, uma façanha digna do livro dos recordes.

O truque: na hora da cobrança, Ciasca fingia estar olhando fixo para a bola. Mas, de soslaio, mirava os olhos do cobrador, que, despreparado, acabava dando a pista do canto em que iria bater.

Marcos, goleiro do Palmeiras, time onde Ciasca iniciou a carreira, teve em quem se inspirar.

Grafite faz o Alemão pegar fogo

Grafite comemora

Grafite comemora

Grafite não pára de fazer gols no Campeonato Alemão. Nesta terça-feira, ele voltou a marcar um dos gols do Wolfsburg por 3 a 0 contra o Borussia Dortmund, em casa, e é agora artilheiro do torneio com 24 gols. O Wolfsburg assim se manteve na ponta com 63 pontos, mesma pontuação do Bayern de Munique, que tem saldo de gols inferior. O Hertha vem em terceiro lugar, com um ponto a menos.

A disputa está pau a pau, quando faltam apenas duas rodadas para decidir quem será o campeão. O Wolfsburg luta pelo seu primeiro título nacional. O time, que também tem o brasileiro Josué no elenco, teve os outros dois tentos marcados por Dezko.

Na penúltima rodada, o Wolfsburg vai enfrentar o Hannover, 11° colocado, fora de casa, no sábado, às 10h30.

Um desengonçado vira artilheiro do primeiro Brasileirão

Dario Maravilha

Dario Maravilha

O Campeonato Brasileiro, que começa amanhã, teve como artilheiro de sua primeira edição, em 1971, um centroavante desengonçado que começou a jogar bola só aos 19 anos. Ele fez o seguinte raciocínio para entrar nessa história e poder ganhar algum dinheiro para ter um prato de comida: “Se tem que meter a bola no meio daquelas traves, naquele baita espaço, deixa comigo”. O cara se chamava Dario, jogou pelo Atlético Mineiro no campeonato de 1971, fez 15 gols naquele “baita espaço” e ajudou o time mineiro a conquistar o Brasileirão pela primeira vez. Logo ele ficaria conhecido como Dario Maravilha.  

Desengonçado, grosso, perna-de-pau. Já chamaram Dario Maravilha de todas as formas possíveis. Ele diz não ligar muito pra isso. Mas o que ele faz questão é que reconheçam que ele foi um dos maiores goleadores e o principal cabeceador do planeta. Para que não vissem seu futebol com desdém, ele também se tornou um marketeiro de primeira e passou a espalhar frases por todos os microfones que encontrasse pela frente, assim como espalhou 926 gols em redes dos adversários, uma marca só superada por Pelé. “Mais feio que fazer gol de canela é não fazer o gol”, diz ele, quando alguém se mete a ironizá-lo.
 
A história de Dario é curiosa desde o início. Percebendo que viver de pequenos assaltos nos subúrbios do Rio de Janeiro não daria muito futuro, começou a vasculhar as alternativas de vida. E vislumbrou no futebol uma boa saída. Só não se deu conta que ele já passara dos 19 anos e nunca havia chutado uma bola na vida. Mas Dadá, acima de tudo, foi um sujeito determinado, palavra que muitos que o viram entrar em campo em meados dos anos 60 preferiam trocar por teimoso. 
 
É quase certo que Gradim, o técnico do Campo Grande, ficava com a segunda alternativa. Afinal, como era possível que estivesse de novo com a cara no alambrado pedindo uma chance no time, se em outras seis ocasiões ele já havia sido reprovado? Dario explicou: “ é o seguinte seu Gradim, toda vez que eu venho aqui, vocês só me colocam pra jogar às quatro da tarde. Só que eu fico o dia inteiro sem comer e quando vou jogar não me agüento nas pernas. Dêem um prato de comida pra mim que vocês vão ver um artilheiro”.
 
Seu Gradim não resistiu. Falou que aquela seria sua última chance. Ele que viesse no dia seguinte de manhã e fosse ao restaurante de um diretor do Campo Grande. Era pra tomar café da manhã, almoçar e treinar no final da tarde. Dario conta que, depois daquela farra gastronômica, resolveu até fazer a sesta na arquibancada do estádio. Na hora do jogo, não só ficou firme sobre as pernas como meteu três gols nos titulares. Ali estava nascendo o Dadá Maravilha.

A carreira de Dario foi tão rápida como suas arrancadas em diagonal em direção ao gol adversário. Começou em 67 e, em 70, já estava na seleção brasileira. Jogou em uma porção de times e, além de gols, deixou frases memoráveis:  “Com Dadá em campo, não tem placar em branco” ou “Só existem três coisas que pairam no ar: helicóptero, beija-flor e o Dadá Maravilha”.