A mandinga nas Copas do Mundo

Joel Santana

Joel Santana

A bola não escapa da mandinga. E parece que, de 40 em 40 anos, a coisa pega fogo. Na Copa de 1970, os búzios já entraram em cena para cantar quem levantaria a taça. Agora, para a Copa da África do Sul de 2010, os ‘mandingueiros’ voltaram para anunciar que o time da casa vai levar a melhor.

 Em uma feira de ‘mandingueiros’ de Faraday, na área central de Johanesburgo, feiticeiros locais asseguraram que podem ajudar muito o técnico Joel Santana a tornar os Bafana Bafana mais felizes no Mundial, como revelam no UOL os jornalistas Alexandre Sinato e Bruno Freitas.

A chave da vitória: coelhos mortos. Se não der para entrar no campo para fazer o trabalho com coelhos mortos, garantem os feiticeiros, é só fazer uma poção com sangue de coelho para passar pelo corpo dos jogadores no hotel. Aí não teria como conter a correria dos jogadores. Mais: Joel Santana seria o cara para levar a África do Sul ao triunfo em 2010.

 40 anos antes, na Copa de 70, no México, a mandinga circulou num congresso de feiticeiros no Peru. Não tinha nada de lambuzar os jogadores com sangue de coelho, mas os búzios foram categóricos: “Vai dar Brasil na cabeça”.

 O jogo da adivinhação não ficava só com os feiticeiros. Ao mesmo tempo, um computador inglês, de fraque e cartola, colocou seus chips pra chacoalhar e sentenciou: “Vai dar Inglaterra, logicamente”.

 Dizem que muitos feiticeiros do congresso de Lima ganharam uma grana preta com a conquista brasileira. E até hoje tem inglês procurando o vírus que se meteu no computador da rainha da Inglaterra. Até agora, no jogo das previsões, os búzios bateram os chips. Resta saber se Joel Santana vai deixar que seus jogadores sejam besuntados com sangue de coelho.

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Guarani e Ponte de olho na subida

Guarani e Ponte Preta não querem nem falar no assunto. Temem a urucubaca. Mas a cidade vislumbra o retorno de seus times à Série A do Brasileiro e a possibilidade de poder reviver os seus dias de glória.

É o começo da série B. Até agora foram cerca de 20% dos jogos. Mas o Guarani, líder da competição e que já conquistou o Brasileiro em 1978, nem acredita no que está acontecendo. Treinado por Oswaldo Alvarez, o Vadão, o Guarani tem campanha mais eficaz até agora do que o Corinthians na sua escalada para fugir da Série B no ano passado.

Treinado por Pintado, o time da Ponte Preta, que foi o primeiro clube do interior a disputar o Nacional e que ficou em segundo lugar no Paulista em três oportunidades – tempo em que o campeonato paulista era coisa de gente grande -, também corre na surdina e ocupa a terceira posição.

Disputada por 20 equipes, que se enfrentam em turno e returno, a Segundona joga para cima os quatro primeiros colocados. Até agora foram oito rodadas, de um total de 38. Os times campineiros sabem que ainda é cedo. No dia seis de dezembro, a cidade vai saber se este início foi só um sonho ou se suas equipes resolveram desfazer de vez um quadro que só foi esquisito por um tempo.

Zebra na África do Sul

Zebra

 O mamífero africano deu as caras na Copa das Confederações da África do Sul. A seleção dos Estados Unidos bateu a da Espanha por 2 a 0 e vai à final cotra o vencedor entre Brasil e África do Sul, amanhã, às 15h30. A zebra tarda mas não falha, como dizem todas as avós.

Denílson e a dança do pé de obra

 

Denílson

Denílson

 O craque Denílson, que já fez sua parte na história do futebol brasileiro, chega ao final de carreira escrevendo capítulos surpreendentes na perambulação de jogadores brasileiros pelo mundo. Agora aconteceu em Hanói, no Vietnã. Ele jogou 45 minutos pelo Haiphong Cement no último domingo, fez um gol na vitória contra o Hoang Anh Gia por 3 a 1 e arrumou as malas para voltar para casa.

 O problema está no joelho, lesão que o fez desistir do jogo de estréia, no início do mês, decepcionando 30 mil pessoas que foram ao estádio do clube para acompanhar o brasileiro. No jogo seguinte, também ficou fora, e só pôs o pé na bola no último domingo, quando anotou um gol de falta.

Aí a Federação Vietnamita de Futebol noticiou a bomba: o atleta de 31 anos iria deixar o time e o país. E a grana não era pouca. Pelo acordo com o time vietnamita, o brasileiro seria pago por jogo. Pela partida de domingo, ele recebeu US$ 12 mil e maia US$ 5 mil por gol marcado.

Denílson, que vinha de passagem pelo Itumbiara, de Goiás, no início deste ano, tem uma história de grandes somas em seus contratos. Em 1998, ele foi responsável pela transferência mais cara do futebol mundial até então, quando saiu do São Paulo e foi para o Bétis, da Espanha, por US$ 35 milhões.

Muricy é o cara

A diretoria do São Paulo e a cartolagem nela pendurada tiraram o corpo fora e elegeram Muricy para pagar o pato pelo insucesso momentâneo do time. Dizer que o técnico tem em seu repertório só as bolas alçadas na área é sacanagem. A história da equipe na era Muricy, que trazia muito da era Telê, está aberta para consultas. Ele só não era dado a bajular cartolas. Daí a bronca cresceu de tamanho.

 

Muricy Ramalho

Muricy Ramalho

A questão não é só com o São Paulo. Os times de ponta, que convivem com estrelas e muita grana que zanza pelos seus cofres, comportam-se todos do mesmo jeito. O futebol vive o tempo de cordeiros. Muricy não entrou no jogo. Muricy é o cara.

Marimbondos enlouquecem brasileiros

Jogadores do Egito comemoram gol de empate

Jogadores do Egito comemoram gol de empate

As cornetas dos estádios da África do Sul, onde acontece a Copa das Confederações, que parecem movidas a marimbondos, enlouqueceram os jogadores brasileiros no jogo contra o Egito nesta segunda-feira, no estádio Free State, em Bloemfontein. O Brasil venceu por 4 a 3, com um giol de Kaká, de Pênalti, aos 45 minutos do segundo tempo.

O Brasil vencia no primeiro tempo por 3 a 1 e tudo indicava que o jogo seria uma baba, e Dunga poderia dormir tranqüilo depois da estréia do selecionado brasileiro na competição. Mas no início do segundo tempo, o Egito empatou o jogo em um minuto. E Dunga começou a arrancar os cabelos. Os jogadores do Egito, campeões africanos, começaram a deitar e rolar em campo, enquanto o técnico brasileiro trocava os jogadores. Entraram Pato no lugar de Robinho, Ramires no lugar de Elano, e André Santos no lugar de Kléber. E nada.

Até que no finalzinho, em um escanteio para o Brasil, Lúcio bateu de primeira e Al Muhamadi, sem saída, colocou o braço na bola. Pênalti.E Kaká fez o seu segundo gol no jogo – Luís Fabiano e Juan tinham feito os outros tentos.

Quando o juiz ficava fora do campo

img_chuteira1904 Quando a regra de impedimento foi criada pelos ingleses, em 1867, um novo cara teria que entrar no jogo: o juiz de futebol. Ele apareceu no ano seguinte ao da regra do offside.O juiz precisaria identificar se na hora em que a bola era lançada existia três adversários entre a linha de fundo e o atacante.

Considerada pelos estudiosos como “a regra de ouro do futebol”, o impedimento acabou com a conversa entre os jogadores para se decidir se uma jogada havia sido incorreta ou não. O impedimento era uma regra muito difícil para ser decidida desse jeito.

Era necessário alguém de fora do campo para fazer isso. E o árbitro, nos primeiros tempos do futebol, ficava fora do campo e só atuava quando consultado pelos times. Só muito depois deixaram que ele entrasse em campo e lhe deram um apito de presente.

A regra do impedimento e muitas outras histórias estão em “A Dança dos Deuses – Futebol, Sociedade, Cultura”, de Hilário Franco Júnior, livro lançado em 2007 pela Companhia das Letras.