Fried estufa a rede

Fried

Fried

A primeira seleção brasileira vai entrar em campo. Estamos em 1914. O Brasil já estava bem animadinho naquele ano, principalmente depois que a mulher do presidente da República, Nair de Teffé, chutou o balde num baile do Catete, ao tocar no violão o maxixe “Corta Jaca”, de Chiquinha Gonzaga: “Ai! Ai! que bom cortar a jaca / Ai! Sim! meu bem me ataca / Sem descansar”.

O ambiente estava propício para o bate-bola no campo do Fluminense contra os ingleses do Exeter City. Pela primeira vez, paulistas e cariocas formavam uma seleção brasileira. E muitos jogadores estavam dispostos a imitar a primeira dama e chutar o balde da escola inglesa de futebol, toda metida a besta.
        
Os inventores do futebol entraram em campo causando suspiros nas moças com sombrinhas estampadas, que enfeitavam a parte da arquibancada reservada à torcida do fluminense. Os rapazes, debaixo dos chapéus de palhinha, tomando vermute e fumando charuto, espumavam inveja e admiração pelos grandalhões importados.
        
Naquele clima, não havia como os brasileiros estufarem o peito para pisar o gramado. Pisamos com a timidez inevitável e fomos escutar o que o juiz Harry Robinson tinha a dizer antes do início da partida. O pior é que Mr. Robinson, com seu chapéu de aba larga, era mais um inglês, só que radicado no Brasil. Feitas as recomendações de praxe, começa o jogo.
        
Entre os brasileiros que entraram em campo naquele 14 de julho de 1914, estava um paulistano, filho de um alemão com uma negra, de nome Artur Friedenreich. Depois de um momento inicial de terror, os brasileiros se soltaram e os ingleses passaram a ficar de olho naquele mulato de olhos verdes que dava uns dribles que eles nunca tinham visto na vida.
         
Os jogadores do Exeter City não só ficaram de olho como passaram a se valer da jogada preferida da escola inglesa, a marreta, uma ombrada violenta para tirar o adversário de cena. O time brasileiro não se intimidou com as tais das marretas e meteu 2 a 0, gols de Osvaldo Gomes e Osman Medeiros. Para as moçoilas presentes, os heróis agora não tinham mais dois metros de altura e se chamavam Píndaro, Lagreca, Rubens Sales, Formiga e Fried.
         
Para os ingleses, aquele jeito de jogar não estava certo, aquela coisa de fingir que vai mas não vai, aquelas embaixadas, aqueles dribles. Alguma coisa devia estar errada. Foi então que quatro jogadores ingleses, alegando contusão, começaram a sair de mansinho do gramado. Rubens Sales, o capitão, percebendo a mutreta, chamou Mr. Robinson na chincha, já que com sete jogadores a partida não poderia continuar.
         
Falando em nome da colônia britânica, Harry Robinson conversou com os quatro fugitivos e os convenceu que aquela pipocada não ia pegar bem. O que se viu depois foi uma seqüência interminável de marretas e pontapés. Um jornal descreveu a atuação de Friedenreich, conhecido como El Tigre, da seguinte maneira: “Incrível o que se viu na tarde de ontem, meus amigos! El Tigre, El Namorado de La América, com gingas espetaculares, driblou oito inimigos da Pátria. Embaixo dos paus, não quis fazer o gol, voltando até o meio do campo. Os inimigos arrancaram-lhe, de puro ódio, 12 dentes da boca”.
        
A notícia dos doze dentes foi um exagero do jornal. Na verdade foram dois. Mas Fried, mesmo banguela, escancarou o sorriso depois daquele dia memorável, que abriu a alma do brasileiro para que ele fizesse o seu jogo. Fried, além de ser o fundador do estilo brasileiro de futebol, foi um artilheiro de pé cheio: 550 gols em 560 partidas, média próxima de um gol por jogo em 26 anos de carreira, superior até que a de Pelé.

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O imprevisível entra em campo

Mané Garrincha

Mané Garrincha

Se naquele domingo de Carnaval algum touro estivesse presente no estádio Universitário, na cidade do México, teria entrado em parafuso. No campo, diante de 100 mil pessoas, um sujeito meio esquisito, com a bola nos pés, corria perseguido por outro. De repente, o esquisito parava. O outro passava reto. Aí, ele ficava esperando o outro voltar. Então, fingia que ia, mas não ia. O outro caía. Depois ele saía como um louco. O outro ia atrás tentando pegar a bola. Só que o esquisito tinha deixado a bola lá atrás. E brecava. O outro se estrebuchava no chão. A cada movimento, a platéia gritava olé. Aquele olé, pensava o touro, era uma farsa. Onde estava o toureiro? Indiferente às reflexões do touro, a torcida gritou olé até o apito final.

O toureiro se chamava Mané Garrincha. O touro era o argentino Vairo. A arena era o estádio Universitário, na cidade do México. O jogo era entre Botafogo e River Plate, que aconteceu no dia 20 de fevereiro de 1958. E, desinteressada na fúria do touro, a torcida ficou enlouquecida com o baile de Garrincha em Vairo e trouxe, pela primeira vez na história, o grito de olé para um estádio de futebol.

Quando o Botafogo partiu para a excursão pelas Américas, no Natal de 57, o mundo do futebol já estava respirando o ar da Copa do Mundo, que aconteceria dali a seis meses na Suécia. Começando por São José da Costa Rica, a excursão só terminaria na cidade do México, quando aconteceu o tal jogo do olé.

O jogo contra o River Plate estava sendo aguardado com a maior ansiedade pela imprensa mexicana. O time argentino era tido como o melhor do mundo, juntamente com o Real Madrid. O River tinha 10 jogadores da seleção argentina e jogava por 10 mil dólares por partida. O Botafogo, valorizado, mas nem tanto, entrava em campo por míseros mil e quinhentos dólares, tendo como estrelas principais Nilton Santos, Didi e aquele jogador esquisito de pernas tortas que os companheiros chamavam de Mané.

Mas seria apenas um jogo normal se não estivessem em campo Mané Garrincha e o lateral Vairo, titular da seleção da Argentina. Garrincha estava inspiradíssimo, assim como estava a torcida, que percebeu naquela sequência interminável de dribles um balé das touradas. Em determinado momento do jogo, o técnico argentino Minella, temendo pela saúde mental de seu lateral, pediu a substituição. E Vairo até que saiu conformado: “É. Não há nada o que fazer. Impossível”.

O jogo terminou 1 a 1, mas para a torcida o vitorioso era aquele sujeito de pernas tortas. Os torcedores invadiram o campo e deram a volta olímpica com Garrincha nas costas.  Aquele domingo de Carnaval em terras mexicanas foi um prenúncio do que estaria para acontecer na Suécia, quando o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo.

Aquele jogo contra o River Plate ficou marcado pelo nascimento do olé no futebol, um olé que acompanharia Garrincha em três copas do mundo e muitas glórias. E o azarado argentino Vairo acabou entrando de touro na história. O futebol descobriu assim o imprevisível.

Grafite volta a atacar

Grafite comemora gol na Alemanha

Grafite comemora gol na Alemanha

O Wolfsburg iniciou com o pé direito a defesa do título alemão. Na abertura da Bundesliga, nesta sexta-feira, os atuais campeões nacionais bateram em casa o Stuttgart por 2 a 0. Grafite, para variar, deixou o seu. O craque brasileiro foi artilheiro do torneio em 2008/09, quando o Wolfsburg foi campeão pela primeira vez em sua história. O time tem também Josué no elenco.

Ex-jogador do São Paulo, Grafite vive momentos de glória na Alemanha, onde passou a ser uma das estampas mais conhecidas no álbum de figurinhas local.

A primeira rodada do Alemão prossegue hoje com seis jogos e mais dois no domingo.

O jogo das máscaras

Torcedores do Cruzeiro em jogo contra o Estudiantes

Torcedores do Cruzeiro em jogo contra o Estudiantes

Há quem entenda que seja um exagero. Há quem ache que precaver tem sentido. Mas não há como se esquecer do jogo desta quarta-feira entre Coritiba e Santos, às 21h50, no estádio Olímpico, em Cascavel-PR. Toda a torcida estará mascarada.

De início, o promotor do Ministério Público Ângelo Mazzuchi Santana entrou com uma ação para impedir a realização do jogo devido ao risco de contagio da gripe Influenza A (H1N1), também chamada de gripe suína. Mas a juíza da 1ª Vara Cível de Cascavel, Giane Maria Moreschi, confirmou a partida, desde que quem fosse ao estádio usasse máscaras respiratórias.

O promotor tinha dado a sugestão de que a partida fosse realizada com os portões fechados, o que não foi acatado pela juíza. As máscaras devem ser distribuídas no próprio estádio. A prefeitura de Cascavel deve arcar por isso, embora o Coritiba se disponha a ajudar no fornecimento do material.

O jogo deveria ser no Couto Pereira, estádio do Coritiba, mas a equipe paranaense foi punida com a perda de mando de um jogo devido à briga entre as torcidas no clássico com o Atlético-PR. Há quem diga que, nestas alturas do campeonato, pouco importa a sugestão do promotor. A expectativa é de que o estádio esteja vazio mesmo com os portões abertos..

O goleiro batedor de escanteios

Rogério

Rogério

Da mesma maneira como aconteceu com Rogério Ceni, que uma vez se aventurou a bater faltas e não largou mais a ousadia, tamanho o sucesso da jogada, o futebol agora aguarda goleiros que batam bem o escanteio.

Afinal, da mesma forma que o goleiro pode ser brilhante na cobrança de faltas, característica em que leva vantagem por ser ele também um defensor de faltas, a cobrança de escanteios pode ser uma arma poderosa para os goleiros.

Nos escanteios, também é ele o principal jogador a tentar frustrar cebeçadas dos adversários. Por tabela, ele também conhece as manhas do batedor de escanteios que mais amedrontam os goleiros. Que o diga o veterano Marcelinho Carioca, que cuida de azucrinar os goleiros que enfrentam o Santo André, time que se nega a pendurar as chuteiras do ex-corintiano.

Enfim, o goleiro, que em alguns jogos morre de sono pela inoperância dos atacantes adversários, pode deixar de vez a condição de coadjuvante do espetáculo. O goleiro batedor de escanteios está prestes a entrar em campo.