Dunga, o homem que se safou de ser interino

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Dunga

Dunga surgiu na seleção brasileira para ser um treinador interino. Na primeira série de tropeços, a CBF iria buscar um nome consagrado para comandar a equipe. E Dunga seria chutado para escanteio e provavelmente seguiria a carreira dos outros técnicos brasileiros. Agarraria um lugar aqui, outro ali, até se firmar. Anos depois, os comentaristas iriam dizer que agora sim o homem estava mais maduro para dar as cartas em uma grande equipe.

Mas não foi isso o que aconteceu. O gaúcho foi parrudo, teve um pouco de sorte e seguiu um trajeto que teve como mérito não se levar pela gritaria de alguns grupos que fazem hoje a história da seleção brasileiro, grupos que carregam empresários e palpiteiros de renome no futebol brasileiro.

Dunga poderia ser um eterno interino. Mas se safou. Como Andrade está se safando no Flamengo, embora o técnico flamenguista não tenha o perfil de falador, condição que tem segurado a carreira de muitos treinadores, exímios articuladores de bastidores.

Tostão citou na coluna do último domingo da Folha de S.Paulo o caso de Evaldo, atacante do Cruzeiro nos anos 60, que teria tudo para ser treinador, o que seria comum para muitos ex-jogadores de um Brasil tão talentoso no esporte. Mas ele, como muitos,  sumiram de cena por se negarem a dar golpes com as palavras e pela pretensão de dirigentes que se apegam a discursos matreiros de treinadores de gravata.

Assim vive o grupinho de treinadores que se juntou a outro grupinho de dirigentes que fizeram pequeno os torneios brasileiros.

O mercado internacional ajudou a construir esse quadro, mas dirigentes mais competentes ajudariam a driblar a situação e fazer os torneios internos mais interessantes.