Elias admite escuridão na hora do gol

Comemoração corintiana - Edson Lopes Jr., Lance

Domingo, o Morumbi estava lotado para o jogo entre São Paulo e Corinthians. No gramado, desfilavam grandes sonhos de um campeonato que chegava perto do fim. Tensão. E as torcidas cerravam os olhos quando a bola ameaçava tirar uma onda diante de suas metas. Mas os jogadores juravam que mantinham os olhos bem abertos para fazer ou evitar o gol. Menos o volante corintiano, que preferiu admitir a escuridão assim que chegou diante de Rogério Ceni.

Elias poderia contar qualquer coisa sobre o momento em que, no final do primeiro tempo, recebeu um passe certeiro de Jucilei e se viu na cara da rede e do goleiro adversários. Mas ele não quis saber de conversa mole. Revelou depois que, frente à frente com o imprevisível, resolveu encher o pé de olhos fechados.

Elias poderia fazer uma firula de palavras, dizer que Ceni esperava uma bola por baixo e chutou por cima, que conhecia a forma de atuar do goleiro tricolor, que nunca perdera um gol naquelas circunstâncias. Mas nada. Foi direto ao assunto: ajeitou a bola, apagou a luz e encheu o pé.

Depois foi a vez de Dentinho fechar a vitória corintiana e colocar o time em segundo lugar na tabela do Brasileiro. Ao São Paulo, restou lamentar a aparição demolidora de Elias, que não fez questão de colorir um gol apenas feito  na hora certa.

Jabulani, o mico da Copa

Jabulani

Quem inventou a bola da Copa da África do Sul deve entender muito de Física, mas não entende nada de futebol. O inventor simplesmente acabou com um dos fundamentos mais nobres do futebol, o lançamento.

Restou o passe curto – como o técnico da Holanda recomendou aos jogadores  no início da competição -, para afugentar o momento “bumerangue” da bola, aquele em que ela enlouquece e começa a se comportar como pipa sem rabo.

Isso sem falar nos goleiros, que, amedrontados, passaram a rebater a Jabulani  para todos os lados, como uma cópia maluca de Sérgio Escadinha, líbero da seleção brasileira de vôlei.

Júlio César, goleiro da seleção brasileira, definiu a bola criada pela Adidas como “bola de supermercado”, e Fabio Capello, técnico da seleção inglesa, como a pior que já viu em toda a sua vida. Os especialistas em material esportiva deveriam aprimorar os conhecimentos sobre a história do esporte antes de colocar a bola em jogo.

Bola zomba dos goleiros

Torcida africana

Torcida

A Jabulani mostrou a cara no jogo entre Inglaterra e Estados Unidos, quando ziguezagueou na frente do goleiro Green e deu o empate aos americanos no sábado.

Domingo foi a vez do goleiro argelino Chaouchi, que tomou o único gol do jogo contra a Eslovênia.

Enquanto a bola zomba dos jogadores, os técnicos dão tratos à bola de como lidar com ela. O técnico da Holanda, time que venceu ontem a Dinamarca por 2 a 0, orientou os atletas que a Jabulani não gostava de passes longos e lançamentos.

A ordem de Bert van Marwijk era para que escolhessem os passes curtos. Não recomendava também chutes longos, que levavam a bola para as nuvens em Johannesburgo.

O ideal era para que optassem por arremates de média distância. Aí, os goleiros que se ver diante da Zabulani. A bola e a Vuvuzela, por sinal, estão na mira da Fifa.

Técnicos, jogadores, jornalistas e parte dos torcedores – aqueles sem a Vuvuzela – não podem nem mais pensar nas cornetas, os marimbondos que invadiram os estádios. A Zabulani cuida dos frangos, a Vuvuzela testa o equilíbrio mental.

A paradinha dá um breque

A FIFA resolveu dar um breque na paradinha no futebol, jogada que, na hora do pênalti, o atacante ameaça chutar e faz o goleiro saltar para uma bola inexistente. A partir do mês que vem, a artimanha brasileira, popularizada por Pelé e que ganhou fama recente nos pés de Neymar, vai sair de cena, a não ser que a jogada ocorra quando o jogador estiver na corrida para cobrança, como fazia Pelé. Caso contrário, será cartão amarelo e repetição da cobrança.

Com a paradinha, restava para o batedor da penalidade arrastar a bola para o canto desguarnecido. A paradinha era assim um fuzilamento sem piedade, um fuzilamento que não desse chance para o goleiro se defender. Era morte certa – ou quaser certa.

Quase certa porque alguns batedores de pênalti, depois de deslocar o goleiro, enfiavam a bola no nariz, errassem o alvo, como se fizessem o goleiro renascer, um tipo de milagre esportivo. Algumas cobranças chegavam a fazer a bola beijar a trave, como que empurradas por algum sapo esperto escondido atrás do gol.

Na Copa do Brasil, do ano passado, por exemplo, Maicosuel, o 10 do Botafogo do Rio, em jogo contra o Americano, no Engenhão, foi o dono do espetáculo. O resultado de 1 a 1 garantia ao time de Campos seguir em frente na Copa do Brasil. Mas Maicosuel, o 10 do Botafogo, roubou uma bola da defesa adversária aos 46 minutos do segundo tempo, ziguezagueou e bateu. Foi a glória: 2 a 1 para o Bota. A decisão foi para a disputa de pênaltis.

 Não tem praga maior, pensaram os jogadores do Americano. Tomar um gol no apagar das luzes era como bater na porta do inferno. O time sorteado para dar a largada nos pênaltis foi o Botafogo. Os jogadores do Americano levantaram a cabeça e viram o diabo: Maicosuel.

 Jefferson, o goleiro, conversou com suas luvas: “Lá vem o desgraçado”. E se ajeitou entre as traves como que para receber o tiro de morte. Afinal, se o cara meteu uma bomba no final do jogo do meio da rua e ele nem viu direito como que ela entrou, o que falar do pênalti.

Maicosuel, o herói do jogo, olhou o goleiro adversário com desdém. “Pega, filho”, comentou com a bola depois de prepará-la na marca da cal. O botafoguense partiu para a bola e chutou. Jefferson foi para o lado esquerdo, mas não viu bola nenhuma, para lado nenhum. Maicosuel, o desgraçado, havia lhe enganado e chutara o ar. Não tinha mais o que fazer. O gol estava escancarado.

 Como um pêndulo, a perna do botafoguense voltou para enterrar o defunto. E buscou o lado direito. A bola veio mansa, como que para torturar o goleiro pelas entranhas. O engano dessa história foi imaginar que a bola estava pouco ligando para o seu final. E ela foi bater, distraidamente, com a cara na trave. Dali para a frente, os jogadores esqueceram a firula. E todas as bolas balançaram a rede. O Americano ganhou o jogo.

 

 

O dia em que Sheslon virou Lucas

Sheslon

Embora para alguns o primeiro nome do menino parecesse estranho, a família concordou com a idéia da mãe de chamá-lo de Sheslon Lucas Lima Sant’Ana. E foi assim que o escrivão teve de escrever na certidão de nascimento. O tempo passou, Sheslon cresceu, chegou a 1,86m, tomou gosto pela bola e virou lateral-direito do Atlético Mineiro. Teve até festa na casa da família Sant’Ana.

As pessoas poderiam achar esquisito o nome do lateral do Galo, mas a situação não chegava nem aos pés da enfrentada pela mãe do volante Vampeta. O menino baiano, por ter fisionomia fora dos padrões, foi apelidado de Vampiro. Depois virou Capeta. Até que os amigos resolveram misturar os dois apelidos, e Marcos André Batista Santos ficou conhecido na sua vitoriosa carreira de futebolista como Vampeta. A família teve que se conformar.

Mas a vida do lateral do Galo começou a mudar com a chegada do técnico Vanderlei Luxemburgo ao Atlético Mineiro. Primeiro ele encasquetou com a posição de Sheslon. Ele achou que ele era muito alto para jogar na lateral. E colocou o atleta para treinar como sagüeiro. Depois, o professor entendeu que o segundo nome de Sheslon, Lucas, seria mais adequado para um jogador de futebol. Sheslon virou Lucas. Assim, o lateral, que virou zagueiro, passou a entender melhor o mundo do futebolista moderno.

Quero-quero, mascote do Brasil

Róbson, no CT Rei Pelé

Róbson,do Santos, é perseguido por quero-quero no CT Rei Pelé

Os times brasileiros já elegeram um elenco enorme de mascotes para trazer sorte a suas equipes. Geralmente entram no time como símbolos da garra, determinação e coragem. Os bichos geralmente são os escolhidos, mas podem também ser pessoas, qualquer coisa. Mas quem está pedindo lugar na escalação de um time há muito tempo é o quero-quero, esta ave que adora lugares amplos como os campos de futebol. Ali, nos dias sem jogo elas são umas santas.  

São leões, águias, galos, dragões, tigres, morcegos, hienas, urubus (burro não tem), dinossauros, abelhas africanas…Mas o quero-quero, esta ave que ganhou os holofotes pela última vez no jogo Curitiba e Palmeiras, no estádio Couto Pereira, nada.

Elas vão aos estádios geralmente no período de reprodução. E ficam ali, na moita, cuidando de seus filhotes. Mas quando percebem chuteiras e bolas por perto, é um deus nos acuda. Partem para cima dos jogadores como se fossem leões, tigres, dinossauros. O quero-quero pede espaço entre as mascotes. O futebol não pode viver só de leões e tigres. Chegou a vez do quero-quero, o verdadeiro campeão.

Grafite volta a brilhar e faz 3 gols na Alemanha

Grafite

Grafite

Grafite já tinha virado figurinha de álbum na Alemanha. Agora deve virar boneco depois dos 3 gols que fez hoje pelo Wolfsburg pela Liga dos Campeões da Europa. A vitória em casa por 3 a 1 sobre o CSKA Moscow  garantiu o primeiro resultado positivo de seu time no principal torneio europeu e deixou os alemães na liderança do grupo da competição.

O artilheiro do último campeonato alemão, companheiro de Josué, marcou duas vezes no primeiro tempo. O CSKA, que demitiu o técnico Zico na semana passada e deu lugar ao espanhol Juande Ramos, tentou reagir com um gol no segundo tempo, em que o atacante brasileiro Guilherme, ex-Cruzeiro, serviu o meia Alan Dzagoev.

Mas, na luta pelo empate dos moscovitas, o endiabrado Grafite voltou a atacar e fechou o placar aos 42min. O ex-são-paulino recebeu cruzamento na pequena área, dominou, girou sobre seu marcador e bateu no contrapé de Akinfeev, na Wolfsburg Arena.

Na outra partida do grupo B, o Manchester United foi a Istambul e conseguiu um triunfo suado sobre o Besiktas, dos brasileiros Rodrigo Tabata e Márcio ‘Mert’ Nobre. O volante Paul Scholes marcou o único gol do jogo.