A dança da ‘bundada’

A dança dos africanos

 

Sábado, o time africano Mazembe, da República Democrática do Congo, depois de colocar em cena a dança da ‘bundada’, forma de os jogadores comemorarem o gol, vai continuar apostando na ousadia para derrotar a Inter de Milão, na decisão do Mundial de Clubes da Fifa.

Contra o Internacional de Porto Alegre, terça-feira, os africanos exibiram a dança da ‘bumdada’ na vitória por 2 a 0 contra os brasileiros. E foi graças à petulância dos seus jogadores, que não se intimidaram com o time gaúcho,  melhor que o Mazembe.

Os africanos já tinham mostrado a cara nas quartas-de-final, quando venceram o time mexicano Pachuca, também mais técnico do que o Mazembe. Tanto a equipe mexicana como a brasileira, favoritas nos jogos contra os africanos, esbarraram na alegria ousada dos jogadores do Congo – o time gaúcho disputa o terceiro lugar na partida de sábado contra o sul-coreano Seongnam.

A Inter deve estar preparada para a decisão, depois de assistir os primeiros jogos de seu adversário. E a dança da ‘bundada’ deve estar tirando o sono dos italianos.

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Anelka chuta o balde e sai de cena

O técnico Domenech e Anelka

“Vá tomar no…, sujo filho da p…”. Este chute na canela do técnico da seleção francesa Raymond Domenech  teria partido do atacante Nicolas Anelka, depois de ter sido criticado no intervalo da partida contra o México, na quinta-feira. E ontem a Federação Francesa (FFF)  tirou o jogador do Chelsea da Copa do Mundo.

Depois do bate-boca, segundo o jornal L’Équipe, durante a manhã deste sábado houve uma reunião entre Domenech, Anelka e Patrice Evra, capitão dos Bleus. Jean-Pierre Escalettes, presidente da Federação Francesa, pediu então a Anelka que pedisse desculpas oficiais à opinião pública francesa, a Domenech, aos jogadores e à comissão técnica.
Como Anelka não quis conversa, decidiu-se pela sua exclusão do grupo.

Anelka vinha reclamando de estar muito isolado no ataque. Queria atuar mais pelos lados, idéia descartada por Domenech.
Nos dois jogos da França na Copa do Mundo, Anelka foi titular. Mas teve atuações discretas na estreia contra o Uruguai (0 a 0) e  na partida contra o México (derrota por 2 a 0).

A França pode ser eliminada ainda na primeira fase da Copa do Mundo. A equipe tem apenas um ponto no grupo A, ao lado da África do Sul. Uruguai e México estão com quatro. Na terça-feira, os Bleus enfrentam os sul-africanos em Bloemfontein às 11h (horário de Brasília).

Bola zomba dos goleiros

Torcida africana

Torcida

A Jabulani mostrou a cara no jogo entre Inglaterra e Estados Unidos, quando ziguezagueou na frente do goleiro Green e deu o empate aos americanos no sábado.

Domingo foi a vez do goleiro argelino Chaouchi, que tomou o único gol do jogo contra a Eslovênia.

Enquanto a bola zomba dos jogadores, os técnicos dão tratos à bola de como lidar com ela. O técnico da Holanda, time que venceu ontem a Dinamarca por 2 a 0, orientou os atletas que a Jabulani não gostava de passes longos e lançamentos.

A ordem de Bert van Marwijk era para que escolhessem os passes curtos. Não recomendava também chutes longos, que levavam a bola para as nuvens em Johannesburgo.

O ideal era para que optassem por arremates de média distância. Aí, os goleiros que se ver diante da Zabulani. A bola e a Vuvuzela, por sinal, estão na mira da Fifa.

Técnicos, jogadores, jornalistas e parte dos torcedores – aqueles sem a Vuvuzela – não podem nem mais pensar nas cornetas, os marimbondos que invadiram os estádios. A Zabulani cuida dos frangos, a Vuvuzela testa o equilíbrio mental.

Dunga chama Escadinha para o gol

Júlio César

A indústria esportiva, particularmente no segmento de bolas, arma um espetáculo dedicado aos gols. E coloca nas copas uma bola cada vez mais leve e traiçoeira para os goleiros. Ou seja, para a indústria dos esportes, vale o ataque, não vale a defesa, com crucificação maior dos goleiros.

O novo goleiro, de acordo com a Fifa e com a Adidas, fabricante de bola, vai ter agora que se preparar como se o futebol fosse jogo vôlei. Dunga deveria levar o volante Escadinha, craque da seleção brasileira de vôlei, para disputar a Copa da África do Sul.

Júlio César, o goleiro brasileiro tido como o melhor do mundo, já escrachou a bola Jabulani, preparada para o campeonato que está prestes a acontecer pela primeira vez no continente africano. “É horrível, horrorosa. Parece bola que a gente compra em supermercado”, disparou o atleta da Inter de Milão.

Jabulani

O sufoco com a “bola bumerangue” não fica só para os goleiros, que agora não podem nem pensar em agarrar uma bola – para tristeza daqueles que viam beleza também na atuação dos goleiros e nos seus vôos espetaculares para segurar a pelota. Espalmar a bola era coisa só para defender os canhões, como de Roberto Carlos, Rivelino, Éder, Nelinho, Pepe…, sem contar os atletas de outras seleções e especialistas em bombardeios.

Os atacantes também fazem careta para a Jabulani, para desaponto de alguns atletas patrocinados pela Adidas, como Kaká, Cech, Lampard e Ballack. O brasileiro Júlio Baptista não poupou o novo modelo e foi na canela da Jaburani: “Nas jogadas pelas laterais, quando damos aquela rosca para cruzar, ela sai do lado contrário. Se você chuta de longe, ela pode fazer três ou quatro curvas na trajetória”.

Ou seja, a bola adquiriu vida, independente da vontade dos jogadores. Que venha então o Escadinha, o goleiro ideal em tempos de Jabulani.

A corrida pelo ouro

Júlio Cesar

Se depender do empenho dos ladrões, as figurinhas já se transformaram no ouro tão almejado pelas seleções que vão disputar a Copa na África do Sul. Na sexta-feira, em Santo André, Grande São Paulo, 40 mil pacotes de figurinhas do álbum da Copa foram roubados.
 

A carga valia R$ 21 mil, segundo a Secretaria de Segurança Pública. O caso foi registrado no 1º DP de Santo André, onde aconteceu o primeiro roubo de figurinhas da Copa, há um mês, quando foram roubadas 135 mil figurinhas – depois, a Polícia Militar recuperou parte das figurinhas roubadas.

O primeiro álbum da Copa foi publicado pela editora Panini em 1970.

Dunga iria pensar se Pelé teria vaga

Ganso e Neymar

Se Dunga treinasse o time de 1958, talvez ele tivesse dúvida em chamar o Pelé para a seleção. Afinal, o jogador tinha só 17 anos e pouco antes vestira a Amarelinha – camisa, aliás, que começou a fazer história naquela Copa.

Além, de moleque, Pelé era do Santos, como Neymar e Ganso. Mas Dunga tem medo da ousadia. Topa dar porrada, mas treme ao montar uma equipe que fuja do óbvio. Arroz com feijão é seu prato preferido. Nem uma pimentinha ele engole.

Neymar e Ganso sabem todos os segredos da bola. Se Dunga não levar os meninos da Vila, ele estará traindo a história da seleção brasileira, que mostrou para o planeta uma nova ma maneira de jogar futebol.

Dunga

Os traídos são Pelé, Garrincha, Leônidas, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Zagalo, Sócrates, Zico, Careca, Júnior, Romário, Tostão, Gérson, Rivelino… O resto é balela.

Ronaldinho com a corda no pescoço

Ronaldinho

Ronaldinho, excelente artista da bola, está prestes a perder o avião para a Copa da África do Sul. Se Ricardo Teixeira não interferir, ele está fora mesmo. Dunga já fechou questão sobre o assunto.

A contusão do cara chama-se deslumbramento. No período em que patinava no Milan – depois de brilhar no Barcelona – e não se preocupava em mostrar serviço para sentar na janelinha do avião, ele chegou a fazer partidas em que fazia embaixadas no gramado, sem sentido e sem objetividade, só para mostrar o quanto era habilidoso.

Garrincha, enquanto esteve com saúde, também brincava com a bola e fazia algazarra fora de campo. Mas, no gramado, era um inferno para os adversários. E ganhou a Copa de 1962 como a estrela maior.

Tomara que haja engano. Mas a impressão é que Ronaldinho dançou e que certos craques viajam para a lua na hora do espetáculo.