Dunga chama Escadinha para o gol

Júlio César

A indústria esportiva, particularmente no segmento de bolas, arma um espetáculo dedicado aos gols. E coloca nas copas uma bola cada vez mais leve e traiçoeira para os goleiros. Ou seja, para a indústria dos esportes, vale o ataque, não vale a defesa, com crucificação maior dos goleiros.

O novo goleiro, de acordo com a Fifa e com a Adidas, fabricante de bola, vai ter agora que se preparar como se o futebol fosse jogo vôlei. Dunga deveria levar o volante Escadinha, craque da seleção brasileira de vôlei, para disputar a Copa da África do Sul.

Júlio César, o goleiro brasileiro tido como o melhor do mundo, já escrachou a bola Jabulani, preparada para o campeonato que está prestes a acontecer pela primeira vez no continente africano. “É horrível, horrorosa. Parece bola que a gente compra em supermercado”, disparou o atleta da Inter de Milão.

Jabulani

O sufoco com a “bola bumerangue” não fica só para os goleiros, que agora não podem nem pensar em agarrar uma bola – para tristeza daqueles que viam beleza também na atuação dos goleiros e nos seus vôos espetaculares para segurar a pelota. Espalmar a bola era coisa só para defender os canhões, como de Roberto Carlos, Rivelino, Éder, Nelinho, Pepe…, sem contar os atletas de outras seleções e especialistas em bombardeios.

Os atacantes também fazem careta para a Jabulani, para desaponto de alguns atletas patrocinados pela Adidas, como Kaká, Cech, Lampard e Ballack. O brasileiro Júlio Baptista não poupou o novo modelo e foi na canela da Jaburani: “Nas jogadas pelas laterais, quando damos aquela rosca para cruzar, ela sai do lado contrário. Se você chuta de longe, ela pode fazer três ou quatro curvas na trajetória”.

Ou seja, a bola adquiriu vida, independente da vontade dos jogadores. Que venha então o Escadinha, o goleiro ideal em tempos de Jabulani.

A corrida pelo ouro

Júlio Cesar

Se depender do empenho dos ladrões, as figurinhas já se transformaram no ouro tão almejado pelas seleções que vão disputar a Copa na África do Sul. Na sexta-feira, em Santo André, Grande São Paulo, 40 mil pacotes de figurinhas do álbum da Copa foram roubados.
 

A carga valia R$ 21 mil, segundo a Secretaria de Segurança Pública. O caso foi registrado no 1º DP de Santo André, onde aconteceu o primeiro roubo de figurinhas da Copa, há um mês, quando foram roubadas 135 mil figurinhas – depois, a Polícia Militar recuperou parte das figurinhas roubadas.

O primeiro álbum da Copa foi publicado pela editora Panini em 1970.

A paradinha dá um breque

A FIFA resolveu dar um breque na paradinha no futebol, jogada que, na hora do pênalti, o atacante ameaça chutar e faz o goleiro saltar para uma bola inexistente. A partir do mês que vem, a artimanha brasileira, popularizada por Pelé e que ganhou fama recente nos pés de Neymar, vai sair de cena, a não ser que a jogada ocorra quando o jogador estiver na corrida para cobrança, como fazia Pelé. Caso contrário, será cartão amarelo e repetição da cobrança.

Com a paradinha, restava para o batedor da penalidade arrastar a bola para o canto desguarnecido. A paradinha era assim um fuzilamento sem piedade, um fuzilamento que não desse chance para o goleiro se defender. Era morte certa – ou quaser certa.

Quase certa porque alguns batedores de pênalti, depois de deslocar o goleiro, enfiavam a bola no nariz, errassem o alvo, como se fizessem o goleiro renascer, um tipo de milagre esportivo. Algumas cobranças chegavam a fazer a bola beijar a trave, como que empurradas por algum sapo esperto escondido atrás do gol.

Na Copa do Brasil, do ano passado, por exemplo, Maicosuel, o 10 do Botafogo do Rio, em jogo contra o Americano, no Engenhão, foi o dono do espetáculo. O resultado de 1 a 1 garantia ao time de Campos seguir em frente na Copa do Brasil. Mas Maicosuel, o 10 do Botafogo, roubou uma bola da defesa adversária aos 46 minutos do segundo tempo, ziguezagueou e bateu. Foi a glória: 2 a 1 para o Bota. A decisão foi para a disputa de pênaltis.

 Não tem praga maior, pensaram os jogadores do Americano. Tomar um gol no apagar das luzes era como bater na porta do inferno. O time sorteado para dar a largada nos pênaltis foi o Botafogo. Os jogadores do Americano levantaram a cabeça e viram o diabo: Maicosuel.

 Jefferson, o goleiro, conversou com suas luvas: “Lá vem o desgraçado”. E se ajeitou entre as traves como que para receber o tiro de morte. Afinal, se o cara meteu uma bomba no final do jogo do meio da rua e ele nem viu direito como que ela entrou, o que falar do pênalti.

Maicosuel, o herói do jogo, olhou o goleiro adversário com desdém. “Pega, filho”, comentou com a bola depois de prepará-la na marca da cal. O botafoguense partiu para a bola e chutou. Jefferson foi para o lado esquerdo, mas não viu bola nenhuma, para lado nenhum. Maicosuel, o desgraçado, havia lhe enganado e chutara o ar. Não tinha mais o que fazer. O gol estava escancarado.

 Como um pêndulo, a perna do botafoguense voltou para enterrar o defunto. E buscou o lado direito. A bola veio mansa, como que para torturar o goleiro pelas entranhas. O engano dessa história foi imaginar que a bola estava pouco ligando para o seu final. E ela foi bater, distraidamente, com a cara na trave. Dali para a frente, os jogadores esqueceram a firula. E todas as bolas balançaram a rede. O Americano ganhou o jogo.

 

 

Dunga iria pensar se Pelé teria vaga

Ganso e Neymar

Se Dunga treinasse o time de 1958, talvez ele tivesse dúvida em chamar o Pelé para a seleção. Afinal, o jogador tinha só 17 anos e pouco antes vestira a Amarelinha – camisa, aliás, que começou a fazer história naquela Copa.

Além, de moleque, Pelé era do Santos, como Neymar e Ganso. Mas Dunga tem medo da ousadia. Topa dar porrada, mas treme ao montar uma equipe que fuja do óbvio. Arroz com feijão é seu prato preferido. Nem uma pimentinha ele engole.

Neymar e Ganso sabem todos os segredos da bola. Se Dunga não levar os meninos da Vila, ele estará traindo a história da seleção brasileira, que mostrou para o planeta uma nova ma maneira de jogar futebol.

Dunga

Os traídos são Pelé, Garrincha, Leônidas, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Zagalo, Sócrates, Zico, Careca, Júnior, Romário, Tostão, Gérson, Rivelino… O resto é balela.

Ronaldinho com a corda no pescoço

Ronaldinho

Ronaldinho, excelente artista da bola, está prestes a perder o avião para a Copa da África do Sul. Se Ricardo Teixeira não interferir, ele está fora mesmo. Dunga já fechou questão sobre o assunto.

A contusão do cara chama-se deslumbramento. No período em que patinava no Milan – depois de brilhar no Barcelona – e não se preocupava em mostrar serviço para sentar na janelinha do avião, ele chegou a fazer partidas em que fazia embaixadas no gramado, sem sentido e sem objetividade, só para mostrar o quanto era habilidoso.

Garrincha, enquanto esteve com saúde, também brincava com a bola e fazia algazarra fora de campo. Mas, no gramado, era um inferno para os adversários. E ganhou a Copa de 1962 como a estrela maior.

Tomara que haja engano. Mas a impressão é que Ronaldinho dançou e que certos craques viajam para a lua na hora do espetáculo.

Goleiro baixinho

Richard

Richard, goleiro do São Paulo que pegou três pênaltis na disputa de pênaltis contra o Santos e deu o título da Copa São Paulo para o tricolor, terminou o torneiro tachado como bom goleiro, mas baixinho. Como assim, cara-pálida?

Os especialistas dizem que hoje, para ser goleiro, a altura é fundamental. Juio César, 1,87 m, Inter de Milão, tomou o lugar de Dida na seleção brasileira. E Dida, Milan, bom pegador de pênaltis, como Richard, 1,83m, tem 1,95m. Emerson Leão, que jogou quatro Copas pelo Brasil,    tem 1,82m. É mais baixo que Richard. Como explicar essa história?

Agora é a hora dos gigantes ou é a hora dos baixinhos?

O dia em que Sheslon virou Lucas

Sheslon

Embora para alguns o primeiro nome do menino parecesse estranho, a família concordou com a idéia da mãe de chamá-lo de Sheslon Lucas Lima Sant’Ana. E foi assim que o escrivão teve de escrever na certidão de nascimento. O tempo passou, Sheslon cresceu, chegou a 1,86m, tomou gosto pela bola e virou lateral-direito do Atlético Mineiro. Teve até festa na casa da família Sant’Ana.

As pessoas poderiam achar esquisito o nome do lateral do Galo, mas a situação não chegava nem aos pés da enfrentada pela mãe do volante Vampeta. O menino baiano, por ter fisionomia fora dos padrões, foi apelidado de Vampiro. Depois virou Capeta. Até que os amigos resolveram misturar os dois apelidos, e Marcos André Batista Santos ficou conhecido na sua vitoriosa carreira de futebolista como Vampeta. A família teve que se conformar.

Mas a vida do lateral do Galo começou a mudar com a chegada do técnico Vanderlei Luxemburgo ao Atlético Mineiro. Primeiro ele encasquetou com a posição de Sheslon. Ele achou que ele era muito alto para jogar na lateral. E colocou o atleta para treinar como sagüeiro. Depois, o professor entendeu que o segundo nome de Sheslon, Lucas, seria mais adequado para um jogador de futebol. Sheslon virou Lucas. Assim, o lateral, que virou zagueiro, passou a entender melhor o mundo do futebolista moderno.