O amarelo que derrubou o branco

img_uniforme19543img_uniforme1954img_uniforme1954A Copa de 1950, em que o Brasil foi derrotado na decisão no Maracanã pelos uruguaios, além de gerar quase uma década de depressão no futebol brasileiro, derrubou de vez o velho uniforme da seleção, presente desde 1919: camisa branca e calção azul. Pronto, para os dirigentes do futebol brasileiro, estava desfeita a urucubaca que dera à seleção o “complexo de vira-lata”, segundo definição do escritor Nelson Rodrigues, que colocara o Brasil em terceiro lugar na Copa de 1938 na França e no segundo na Copa do Brasil.
Para dar cabo do uniforme agourento, o jornal Correio da Manhã lançou em 1952 o concurso para que os brasileiros dessem trato à bola e apontassem uma roupa iluminada para a seleção. O modelo vencedor foi do estudante de Direito Aldyr Garcia Schlee, gaúcho de 19 anos que bateu 300 concorrentes.
Entrou então em cena o uniforme de camisa amarelo-ouro, com frisos verdes nas golas e punhos, calção azul com listra branca ao lado e meias brancas com listras verdes e amarelas. O gaúcho que inventou o uniforme ganhou uma quantia em dinheiro, uma cadeira cativa no Maracanã – que depois do desastre de dois anos antes não estava valendo lá muita coisa – e um estágio como desenhista no jornal que promoveu o concurso.
A seleção fez a estréia do novo uniforme nos jogos Olímpicos de 1952 na Finlândia, deu o quinto lugar para o Brasil na Copa de 54 na Suíça e o título na Copa da Suécia em 58.
Na conquista do bi no Chile, quatro anos depois, a equipe nacional passou a ser chamada de Seleção Canarinho. Aldyr já não cabia mais em si. Com a conquista do tri, então, quando ninguém mais no planeta teve como desconhecer o uniforme, dizem que o gaúcho virou o próprio canarinho.

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