A paradinha dá um breque

A FIFA resolveu dar um breque na paradinha no futebol, jogada que, na hora do pênalti, o atacante ameaça chutar e faz o goleiro saltar para uma bola inexistente. A partir do mês que vem, a artimanha brasileira, popularizada por Pelé e que ganhou fama recente nos pés de Neymar, vai sair de cena, a não ser que a jogada ocorra quando o jogador estiver na corrida para cobrança, como fazia Pelé. Caso contrário, será cartão amarelo e repetição da cobrança.

Com a paradinha, restava para o batedor da penalidade arrastar a bola para o canto desguarnecido. A paradinha era assim um fuzilamento sem piedade, um fuzilamento que não desse chance para o goleiro se defender. Era morte certa – ou quaser certa.

Quase certa porque alguns batedores de pênalti, depois de deslocar o goleiro, enfiavam a bola no nariz, errassem o alvo, como se fizessem o goleiro renascer, um tipo de milagre esportivo. Algumas cobranças chegavam a fazer a bola beijar a trave, como que empurradas por algum sapo esperto escondido atrás do gol.

Na Copa do Brasil, do ano passado, por exemplo, Maicosuel, o 10 do Botafogo do Rio, em jogo contra o Americano, no Engenhão, foi o dono do espetáculo. O resultado de 1 a 1 garantia ao time de Campos seguir em frente na Copa do Brasil. Mas Maicosuel, o 10 do Botafogo, roubou uma bola da defesa adversária aos 46 minutos do segundo tempo, ziguezagueou e bateu. Foi a glória: 2 a 1 para o Bota. A decisão foi para a disputa de pênaltis.

 Não tem praga maior, pensaram os jogadores do Americano. Tomar um gol no apagar das luzes era como bater na porta do inferno. O time sorteado para dar a largada nos pênaltis foi o Botafogo. Os jogadores do Americano levantaram a cabeça e viram o diabo: Maicosuel.

 Jefferson, o goleiro, conversou com suas luvas: “Lá vem o desgraçado”. E se ajeitou entre as traves como que para receber o tiro de morte. Afinal, se o cara meteu uma bomba no final do jogo do meio da rua e ele nem viu direito como que ela entrou, o que falar do pênalti.

Maicosuel, o herói do jogo, olhou o goleiro adversário com desdém. “Pega, filho”, comentou com a bola depois de prepará-la na marca da cal. O botafoguense partiu para a bola e chutou. Jefferson foi para o lado esquerdo, mas não viu bola nenhuma, para lado nenhum. Maicosuel, o desgraçado, havia lhe enganado e chutara o ar. Não tinha mais o que fazer. O gol estava escancarado.

 Como um pêndulo, a perna do botafoguense voltou para enterrar o defunto. E buscou o lado direito. A bola veio mansa, como que para torturar o goleiro pelas entranhas. O engano dessa história foi imaginar que a bola estava pouco ligando para o seu final. E ela foi bater, distraidamente, com a cara na trave. Dali para a frente, os jogadores esqueceram a firula. E todas as bolas balançaram a rede. O Americano ganhou o jogo.

 

 

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Hino do Botafogo na festa do Vasco

Novo uniforme do Vasco

Novo uniforme do Vasco

Roberto Dinamite, presidente do Vasco da Gama, parece ser um sujeito calmo. Mas com certeza ficou maluco com a pisada na bola nesta semana. Na apresentação dos novos uniformes do time, modelos com o patrocínio da Champs, um trapalhão colocou o hino do Botafogo no meio da solenidade.

Lembrou o falecido presidente do Corinthians Vicente Matheus, que costumava dar declarações esquisitas, como agradecer à Antarctica pelas Brahmas que a empresa enviou para a festa do clube.