Dunga chama Escadinha para o gol

Júlio César

A indústria esportiva, particularmente no segmento de bolas, arma um espetáculo dedicado aos gols. E coloca nas copas uma bola cada vez mais leve e traiçoeira para os goleiros. Ou seja, para a indústria dos esportes, vale o ataque, não vale a defesa, com crucificação maior dos goleiros.

O novo goleiro, de acordo com a Fifa e com a Adidas, fabricante de bola, vai ter agora que se preparar como se o futebol fosse jogo vôlei. Dunga deveria levar o volante Escadinha, craque da seleção brasileira de vôlei, para disputar a Copa da África do Sul.

Júlio César, o goleiro brasileiro tido como o melhor do mundo, já escrachou a bola Jabulani, preparada para o campeonato que está prestes a acontecer pela primeira vez no continente africano. “É horrível, horrorosa. Parece bola que a gente compra em supermercado”, disparou o atleta da Inter de Milão.

Jabulani

O sufoco com a “bola bumerangue” não fica só para os goleiros, que agora não podem nem pensar em agarrar uma bola – para tristeza daqueles que viam beleza também na atuação dos goleiros e nos seus vôos espetaculares para segurar a pelota. Espalmar a bola era coisa só para defender os canhões, como de Roberto Carlos, Rivelino, Éder, Nelinho, Pepe…, sem contar os atletas de outras seleções e especialistas em bombardeios.

Os atacantes também fazem careta para a Jabulani, para desaponto de alguns atletas patrocinados pela Adidas, como Kaká, Cech, Lampard e Ballack. O brasileiro Júlio Baptista não poupou o novo modelo e foi na canela da Jaburani: “Nas jogadas pelas laterais, quando damos aquela rosca para cruzar, ela sai do lado contrário. Se você chuta de longe, ela pode fazer três ou quatro curvas na trajetória”.

Ou seja, a bola adquiriu vida, independente da vontade dos jogadores. Que venha então o Escadinha, o goleiro ideal em tempos de Jabulani.

Exame antidoping com xixi alheio

Zico, em atuação pela seleção brasileira

Zico, em atuação pela seleção brasileira

O jornal inglês Sunday Times entrou de bola e tudo nas denúncias contra os argentinos na Copa de 78. De acordo com o jornal sensacionalista, os jogadores argentinos jogaram dopados em todos os jogos. Aos moldes das transações financeiras golpistas, a seleção argentina teria se valido de um laranja para fazer as vezes de seus jogadores no exame antidoping.

Em plena copa realizada na Argentina, o Sunday Times causou furor ao sair com essa história de que o exame antidoping dos donos da casa estava lançando mão de xixi alheio para fazer suas averiguações. Segundo o jornal, um homem havia sido contratado para urinar no lugar dos atletas comandados por Cesar Luis Menotti.

As acusações contra a Argentina naquela Copa – uma competição da baixo nível técnico, por sinal – foram muitas. Todas elas baseadas em suposta operação de guerra montada pelos militares argentinos para que sua seleção ganhasse a disputa e desse vida à ditadura, que imperava não só lá, como aqui no Brasil e no Uruguai, só para não ir muito longe.

Da seleção brasileira, as alfinetadas questionando a lisura dos organizadores do evento vieram aos montes. Primeiro, por um gol anulado contra a Suécia, o primeiro jogo do Brasil, que terminou empatado em 1 a 1. Uma reclamação justa. O juiz Clive Thomas, do País de Gales, teve a cara de pau de anular um gol de cabeça de Zico, aos 45 minutos do segundo tempo, depois de um escanteio do lateral Nelinho, acabando com o jogo enquanto a bola estava no ar.

Ninguém entendeu  o comportamento do apito do juiz Thomas. Nem os brasileiros, que arremessaram os mais variados xingamentos contra o galês. Nem a Fifa, que advertiu o desastrado. Nem os próprios suecos – muitos deles teriam saído arrasados do gramado pelo gol no apagar das luzes, que julgavam ter sido confirmado pelo juiz.

O Brasil não estava lá essas coisas naquela Copa. Mas novas suspeitas vieram à tona quando a seleção canarinho perdeu a condição de disputar a final contra a Holanda, quando a Argentina aplicou uma goleada de 6 a 0 no Peru, um time que na fase anterior tivera o mérito de arrancar um empate dos fantásticos holandeses.

Com a tal goleada, o Brasil ficou fora da final pelo critério de saldo de gols. A Argentina levou a Copa ao derrotar a Holanda por 3 a 1. A seleção brasileira, que terminou a competição invicta, voltou para casa carregando na bagagem histórias esquisitas: do argentino contratado para fazer xixi sem anfetaminas e de uma goleada com cara de marmelada.