O goleiro que mordeu o calcanhar do Pelé

Se há alguém que sempre terá na memória o nome Ciasca, um dos melhores goleiros da história da Ponte Preta, este é Pelé. Não é pra menos. A lembrança do último encontro entre os dois, na Vila Belmiro, em 1959, ficou registrada no calcanhar do Rei: uma dentada com toda a gana de um goleiro ferido.

O jovem Pelé, então com 18 anos, tinha fome de gols. E Ciasca, com 23 anos, detestava ver a bola em suas redes. O mais grave é que Pelé já havia feito três gols naquele jogo, e o Santos estava batendo a Ponte por 4 a 2.

Para o goleiro pontepretano, respeitadíssimo no futebol paulista dos anos 50, aquilo era uma afronta. Quando Pelé partiu para a área com a bola dominada, no final do jogo, Ciasca deu o bote, agarrando não só a bola como o pé do craque. Inconformado, Pelé, não se sabe se propositalmente ou não, acertou a boca do goleiro, que viu dois dentes frontais despencarem no gramado.

Ciasca não viu ali só os dentes caírem por terra, mas uma imagem cultivada durante anos.

Além de um grande goleiro, Ciasca era o maior galã de Campinas na época. E chegar a Campinas derrotado e banguela seria demais. Foi quando Ciasca resolveu revidar a agressão com uma mordida no calcanhar do Rei, usando os dentes que lhe restaram. O juiz achou que aquela cena não fazia parte do esporte e mandou os dois para o chuveiro antes do final do jogo.