Dunga chama Escadinha para o gol

Júlio César

A indústria esportiva, particularmente no segmento de bolas, arma um espetáculo dedicado aos gols. E coloca nas copas uma bola cada vez mais leve e traiçoeira para os goleiros. Ou seja, para a indústria dos esportes, vale o ataque, não vale a defesa, com crucificação maior dos goleiros.

O novo goleiro, de acordo com a Fifa e com a Adidas, fabricante de bola, vai ter agora que se preparar como se o futebol fosse jogo vôlei. Dunga deveria levar o volante Escadinha, craque da seleção brasileira de vôlei, para disputar a Copa da África do Sul.

Júlio César, o goleiro brasileiro tido como o melhor do mundo, já escrachou a bola Jabulani, preparada para o campeonato que está prestes a acontecer pela primeira vez no continente africano. “É horrível, horrorosa. Parece bola que a gente compra em supermercado”, disparou o atleta da Inter de Milão.

Jabulani

O sufoco com a “bola bumerangue” não fica só para os goleiros, que agora não podem nem pensar em agarrar uma bola – para tristeza daqueles que viam beleza também na atuação dos goleiros e nos seus vôos espetaculares para segurar a pelota. Espalmar a bola era coisa só para defender os canhões, como de Roberto Carlos, Rivelino, Éder, Nelinho, Pepe…, sem contar os atletas de outras seleções e especialistas em bombardeios.

Os atacantes também fazem careta para a Jabulani, para desaponto de alguns atletas patrocinados pela Adidas, como Kaká, Cech, Lampard e Ballack. O brasileiro Júlio Baptista não poupou o novo modelo e foi na canela da Jaburani: “Nas jogadas pelas laterais, quando damos aquela rosca para cruzar, ela sai do lado contrário. Se você chuta de longe, ela pode fazer três ou quatro curvas na trajetória”.

Ou seja, a bola adquiriu vida, independente da vontade dos jogadores. Que venha então o Escadinha, o goleiro ideal em tempos de Jabulani.

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Dunga iria pensar se Pelé teria vaga

Ganso e Neymar

Se Dunga treinasse o time de 1958, talvez ele tivesse dúvida em chamar o Pelé para a seleção. Afinal, o jogador tinha só 17 anos e pouco antes vestira a Amarelinha – camisa, aliás, que começou a fazer história naquela Copa.

Além, de moleque, Pelé era do Santos, como Neymar e Ganso. Mas Dunga tem medo da ousadia. Topa dar porrada, mas treme ao montar uma equipe que fuja do óbvio. Arroz com feijão é seu prato preferido. Nem uma pimentinha ele engole.

Neymar e Ganso sabem todos os segredos da bola. Se Dunga não levar os meninos da Vila, ele estará traindo a história da seleção brasileira, que mostrou para o planeta uma nova ma maneira de jogar futebol.

Dunga

Os traídos são Pelé, Garrincha, Leônidas, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká, Zagalo, Sócrates, Zico, Careca, Júnior, Romário, Tostão, Gérson, Rivelino… O resto é balela.