A beleza da bola foi pro brejo?

Zico

Kaka

Dunga

Jogar feio ou bonito? Jogar no ataque ou na retranca? Esta seria uma questão difícil se não existisse a memória.

Nas vezes em que a seleção brasileira jogou claramente no ataque, ela venceu quatro vezes (1958, 1962, 1970 e 2002), bateu na trave em 1938 (terceiro lugar), em 1950 (segundo lugar), em 1954 (quinto lugar), 1974 ( quarto lugar), 1978 (terceiro lugar e única seleção invicta na copa), 1982 ( quinto lugar de um futebol exuberante), 1986 (quinto lugar) e 2006 (segundo lugar).

A única vez em que jogou e foi campeã fora de seu estilo claramente ofensivo foi em 1994. Mas aquela equipe tinha no ataque Bebeto e Romário, este no auge da carreira, além de Dunga e Jorginho, os homens que hoje estão dando ordens no banco e que querem uma seleção cautelosa, como a de 1994.

A ousadia e a surpresa dos dribles foram pro brejo?

Exame antidoping com xixi alheio

Zico, em atuação pela seleção brasileira

Zico, em atuação pela seleção brasileira

O jornal inglês Sunday Times entrou de bola e tudo nas denúncias contra os argentinos na Copa de 78. De acordo com o jornal sensacionalista, os jogadores argentinos jogaram dopados em todos os jogos. Aos moldes das transações financeiras golpistas, a seleção argentina teria se valido de um laranja para fazer as vezes de seus jogadores no exame antidoping.

Em plena copa realizada na Argentina, o Sunday Times causou furor ao sair com essa história de que o exame antidoping dos donos da casa estava lançando mão de xixi alheio para fazer suas averiguações. Segundo o jornal, um homem havia sido contratado para urinar no lugar dos atletas comandados por Cesar Luis Menotti.

As acusações contra a Argentina naquela Copa – uma competição da baixo nível técnico, por sinal – foram muitas. Todas elas baseadas em suposta operação de guerra montada pelos militares argentinos para que sua seleção ganhasse a disputa e desse vida à ditadura, que imperava não só lá, como aqui no Brasil e no Uruguai, só para não ir muito longe.

Da seleção brasileira, as alfinetadas questionando a lisura dos organizadores do evento vieram aos montes. Primeiro, por um gol anulado contra a Suécia, o primeiro jogo do Brasil, que terminou empatado em 1 a 1. Uma reclamação justa. O juiz Clive Thomas, do País de Gales, teve a cara de pau de anular um gol de cabeça de Zico, aos 45 minutos do segundo tempo, depois de um escanteio do lateral Nelinho, acabando com o jogo enquanto a bola estava no ar.

Ninguém entendeu  o comportamento do apito do juiz Thomas. Nem os brasileiros, que arremessaram os mais variados xingamentos contra o galês. Nem a Fifa, que advertiu o desastrado. Nem os próprios suecos – muitos deles teriam saído arrasados do gramado pelo gol no apagar das luzes, que julgavam ter sido confirmado pelo juiz.

O Brasil não estava lá essas coisas naquela Copa. Mas novas suspeitas vieram à tona quando a seleção canarinho perdeu a condição de disputar a final contra a Holanda, quando a Argentina aplicou uma goleada de 6 a 0 no Peru, um time que na fase anterior tivera o mérito de arrancar um empate dos fantásticos holandeses.

Com a tal goleada, o Brasil ficou fora da final pelo critério de saldo de gols. A Argentina levou a Copa ao derrotar a Holanda por 3 a 1. A seleção brasileira, que terminou a competição invicta, voltou para casa carregando na bagagem histórias esquisitas: do argentino contratado para fazer xixi sem anfetaminas e de uma goleada com cara de marmelada.